Você acabou de vencer uma licitação ou fechar um contrato importante para prestação de serviços
elétricos. A equipe está pronta, o cronograma está apertado e, na tentativa de otimizar o orçamento, sua
empresa opta por adquirir Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) baseando-se apenas no menor
preço. Afinal, “uma luva é apenas uma luva”, certo?
Errado. No setor elétrico, especialmente ao atuar sob as diretrizes da CELESC, essa economia inicial
pode ser o gatilho para uma sucessão de prejuízos que vão desde a paralisação imediata da obra até multas
que superam os R$ 283.000.
Neste artigo, vamos mergulhar nas normas técnicas da CELESC, entender a importância vital do
Certificado de Aprovação (CA) e mostrar por que a segurança do trabalho deve ser vista como um
investimento estratégico, e não apenas um custo obrigatório.
O Que Significa a Homologação da CELESC e Por Que Ela
é Inegociável?
Para qualquer empresa que atua no Sistema Elétrico de Potência (SEP) ou em suas proximidades, a
CELESC estabelece critérios rigorosos através da Instrução Normativa I-134.0025. Este documento
não é apenas uma recomendação; ele normatiza e valida as exigências contratuais de segurança e saúde no
trabalho para todas as contratadas e subcontratadas.
Quando falamos em equipamentos “homologados”, estamos nos referindo a produtos que atendem não
apenas às Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho, mas também às especificações
técnicas e de padronização da própria concessionária. O objetivo é prevenir incidentes que resultem em
ferimentos ou morte, além de evitar danos ao patrimônio da população e aos equipamentos da própria
CELESC.
O Sistema Elétrico de Potência (SEP) e o Risco Elevado
O SEP compreende o conjunto de instalações destinadas à geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica. Trabalhar nesse ambiente exige que o prestador de serviço utilize equipamentos que sejam a
“última barreira” de proteção contra o perigo. Optar por um equipamento não homologado é, na prática,
deixar essa barreira vulnerável.
O Risco Operacional: Suspensão Imediata e “Falta Grave”
Um dos maiores riscos de utilizar equipamentos baratos e sem certificação é a interrupção abrupta do seu
fluxo de caixa. De acordo com as diretrizes da CELESC, qualquer empregado da companhia tem a
competência — e o dever — de atuar imediatamente ao constatar desvios de segurança.
A Suspensão dos Serviços
Se a fiscalização da CELESC identificar que sua equipe está utilizando EPIs fora dos padrões exigidos ou
sem o Certificado de Aprovação (CA) válido, ela tem o direito de praticar, a qualquer momento, a
suspensão ou interdição das atividades.
Essa paralisação é registrada no Registro Diário de Obras (RDO) e traz consequências severas:
Atraso no cronograma: A empresa continua com custos fixos e salários, mas sem produzir.
Responsabilidade exclusiva: A suspensão motivada por insegurança não exime a contratada de
multas por atraso contratual.

Notificação Extrajudicial: A empresa pode receber uma notificação formal exigindo a regularização
em prazos curtos, sob pena de rescisão.
A “Falta Grave” no Procedimento Técnico
Não é apenas o equipamento físico que importa, mas o seu uso dentro de processos homologados. A
CELESC considera a não execução da sequência “Desenergizar, Testar, Aterrar, Sinalizar e Trabalhar”
como uma falta grave, passível de suspensão imediata. Equipamentos de medição e aterramento não
homologados ou sem calibração impedem que essa sequência seja feita com segurança, colocando o
contrato em risco.
O Risco Legal e Financeiro: O Peso do CA e do eSocial
Para ser reconhecido por lei no Brasil, o EPI precisa possuir o Certificado de Aprovação (CA) emitido
pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Sem ele, o equipamento é juridicamente inexistente.
Multas e Autuações
Empresas que fornecem EPIs sem CA ou inadequados ao risco enfrentam multas administrativas que
variam de R1.000aR 283.000, dependendo da gravidade e reincidência. No caso de prestadores de serviço
da CELESC, o descumprimento das Normas Regulamentadoras (como a NR-10 e a NR-6) pode levar à
rescisão direta do contrato.
A Fiscalização Digital via eSocial
O cenário de fiscalização mudou drasticamente com o eSocial. Embora o sistema não exija o envio físico
de recibos a cada entrega, ele promove um cruzamento de dados sem precedentes. O governo monitora:

  1. A função exercida.
  2. A exposição aos riscos ambientais.
  3. As medidas preventivas adotadas.
    Se houver um acidente e sua empresa não conseguir comprovar a entrega de um EPI com CA válido e a
    rastreabilidade do equipamento, a defesa jurídica torna-se quase impossível.
    Passivo Trabalhista e Responsabilidade Civil
    Em caso de acidente de trabalho com equipamento irregular, a empresa fica vulnerável a processos por
    danos morais, materiais e estéticos. Se houver incapacidade permanente ou morte, as pensões vitalícias
    podem levar o prestador de serviço à falência.
    A Matemática do Prejuízo: Por que o “Barato” Sai Caro?
    Muitas empresas compram EPIs apenas por obrigação documental, sem enxergar o valor estratégico. No
    entanto, o equipamento de baixa qualidade gera custos ocultos:
    Desgaste Acelerado: Produtos sem certificação utilizam materiais inferiores que exigem trocas
    constantes, gerando mais gastos a longo prazo.
    Baixa Aceitação do Trabalhador: Equipamentos desconfortáveis fazem com que o colaborador
    evite o uso. Isso aumenta o risco de acidentes e a necessidade de fiscalização interna constante.
    Custo de Reposição Emergencial: Quando um EPI é reprovado pela fiscalização da CELESC, a
    empresa é obrigada a comprar o modelo correto às pressas, muitas vezes pagando preços mais altos por
    falta de planejamento.

O Checklist de Conformidade para o Prestador CELESC
Para garantir que sua empresa não seja surpreendida, siga estes requisitos essenciais exigidos nas
diretrizes contratuais:

  1. Documentação e Rastreabilidade
    Carteira de Identificação SST: Cada empregado em campo deve portar uma carteira (conforme
    modelo CELESC) contendo foto, datas de treinamento da NR-10, NR-35 e a validade do Atestado de
    Saúde Ocupacional (ASO).
    Ficha Individual: Manter registro e controle do fornecimento de EPIs através de ficha individual
    assinada por cada empregado.
  2. Equipamentos Mínimos Homologados (Lista Exemplificativa)
    Capacete de segurança classe “B” (isolamento elétrico) com jugular.
    Luvas isolantes (AT/BT) com luvas de cobertura de vaqueta.
    Vestimentas anti-chama (FR): De uso obrigatório em zonas de risco ou controlada, mesmo em redes
    desenergizadas se houver risco de indução.
    Conjunto de aterramento temporário adequado à tensão de trabalho.
    Detector de tensão e dispositivos de impedimento de reenergização.
  3. Procedimentos Obrigatórios
    APR e Ordem de Serviço: Nenhuma atividade pode começar sem a Análise Preliminar de Risco
    (APR) e o Diálogo Diário de Segurança (DDS) de no máximo 10 minutos.
    Treinamento Direção Defensiva: Obrigatório para todos os empregados que conduzem veículos a
    serviço do contrato.
    Exemplo Prático: O Caso da Luva “Sem Marca”
    Imagine um prestador que adquiriu luvas isolantes sem CA para uma obra de iluminação pública. Durante
    a inspeção semanal obrigatória, o técnico de segurança da CELESC constata a irregularidade.
    Consequência: A equipe de três eletricistas é retirada do poste imediatamente. A prefeitura municipal
    (conveniada) é notificada extrajudicialmente. A empresa prestadora perde dois dias de trabalho para
    adquirir e testar novos equipamentos, além de receber uma multa contratual baseada na gravidade do
    desvio. O “lucro” obtido na compra da luva barata foi consumido na primeira hora de paralisação.
    Conclusão: Segurança é Viabilidade de Negócio
    No mercado de prestação de serviços para grandes concessionárias como a CELESC, a conformidade
    técnica é o que separa as empresas profissionais das amadoras. Utilizar equipamentos não homologados
    não é apenas um risco para a vida do eletricista; é um risco para a própria sobrevivência financeira da sua
    organização.
    O Certificado de Aprovação (CA) é a sua garantia legal, e a homologação da CELESC é o seu passaporte
    para manter contratos lucrativos e duradouros. Não deixe que o “barato” destrua a reputação e o caixa da
    sua empresa.
    Sua empresa está em dia com as diretrizes da CELESC? Evite surpresas e paralisações. Na Bergo,
    somos especialistas em EPIs para prestadores de serviços elétricos, entre em contato!